“pequenas variações de altura ou de timbre
alteram as consistências das notas; e, quanto mais de perto se ouve, mais riquezas se encontra. É como uma vida subaquática, que a gente precisa mergulhar pra conhecer” .................... para poder emergir
timbre de possível
Sempre silencioso ou apenas quieto. Porque dizer que alguém é silêncio pode trazer a figura do sufoco que não consegue doar-se à natureza de uma linguagem e assim, ao outro. Mas não era feito disso. Era de um som rasteiro e pegajoso que, quem o encontrasse, saberia da sinfonia que exige sua presença . ruído baixo de frequência arrebatada por estrondoso som.
Tom
Jazz. O que acontece com o pensamento quando houve jazz? ....me perguntei. Sem saber senti que pensamento é corpo e corpo é a hipótese audível do pensamento. Entende? Ouvidos em cada poro epitelial. Porque , porque pensamento não é linguagem, porque a escuta é acessível a todos os membros do corpo. Escuta é linguagem? Pensamento não é linguagem, é escuta, repito. É escutar e fazer escutar. E ouvido não é só escuta, assim como pensamento não é só pensamento e tudo .........chega!! você não disse que ia parar de cheirar ? Eu teria dito que sim......
Timbre de dança
Devagar talvez, como se andasse terno entre a maioria apressada que carregava sem saber um sobressalto muscular nas costas. Leve mas firme. Nunca achei que fosse apenas solicitude, desconfiei desde o inicio que por ali escorriam passagens frenéticas de um solo de bateria, trompete enlouquecido, Charles Mingus carrega precisão e fúria nos dedos. Não sei. Tudo o que posso contar aqui sobre ele se passa por subjetivas compreensões de uma presença estranha e suave. Entendam que não é somente isso , é mais ´poliforme e deslocado também. Quando de súbito uma presença invade o ambiente sem nada a oferecer, mas já oferecendo o contágio de sua passagem que apenas passa. O reconhecimento mudo às vezes faz dele um leve vento que sacode os brincos da menina ao lado, exigindo que ao menos uma faísca de sua espinha seja tocada. Mas não é isso, porque isso acho brega, e não quero fazer ele com contornos bregas, mas com arremates possíveis. E só .
Intensidade
Não entendo de música, mas de danças silenciosas. Não se faz som sem a necessidade louca de pensar dançando . Som é mecânica do gesto. E liberto de si é puro movimento.sim , eu estou procurando a matéria de uma imaterialidade. Eu procuro e pergunto e todos me respondem a mesma coisa, eu vou cartografando as possíveis entradas, mas saio escondido pra não fazer barulho já o fazendo. O peito pulsa ,o coração bombeia a força necessária de um limite próximo, sabendo-se que irá chegar o momento de uma compreensão inaudita as costelas apenas sustentam a pulsação de um frenesi dançante. Magia, penso em magia, e tenho que lembrar de todos os rituais em que não fui para que as besteiras de hoje pesem com seus murmurinhos que não se deixam entranhar totalmente. Eu sei que o pensamento é ato. Somente disso eu sei. Aí abro a cadência filosófica que paira hoje como uma estranha moda de compreender o mundo e reflito sendo ordinariamente conceitual, se é daquilo mesmo que me passa música por entre o corpo seria então não o balbucio sistemático mas outro, outro........ Não é nada, a hipótese de falar sobre recrimina do que se fala. Eu quero o silêncio manuseado até o seu transbordamento total, quero o enxerto de uma ópera abstrata da matéria. Acho que nada posso quando tento assim, pois não seria entendível, mas não é para ser e se fosse , já que é, estaríamos diferentes do que o que se faz nesse agora.
Ritmo
Afinal você escuta o pensamento, eu escuto só o pensamento, a única coisa escutável é o pensamento e quando é ele música é porque dança, quando palavra é porque faz música , quando silêncio é a eterna produção de fazer-se preencher para assim esvaziar. Tudo bem que eu queria antes que fosse alguma coisa palpável , o alimento secreto de uma possível linha, antes queria o jorro imediato de quem sabe que faz fazendo-o. Era tudo essa coisa imprevisível e incapturável e eu querendo não lhe dar um nome , mas achar a sua minúscula composição . Trazendo-me para esse desastroso relatório de tentativas estranhamente peculiares....Você não sabe do que estou falando, nunca saberá. Tudo começou então num dia exagerado chamado verbo-ruído. Eu deslocado obviamente no meu horário comercial em que me são enjauladas espécies humanas totalmente diferentes, que tem que se aturar e ainda fingir que estão parcialmente de acordo com as existência abominantes que perduram por ali e que devem, que devem, que sempre devem...alguma coisa. Nós sentimos nojo um dos outros e escondemos isso só para não nos matarmos em meio à burocracia da rotina. Compartilhamos de pensamentos espaçados por coisas banais e falamos besteiras casuais. Somos o lixo de uma empresa podre, somos todos.....Mas a questão é, diferente daquele entrave cotidiano que provoca a epifania de quem subitamente vê a poesia da realidade, eu vi o susto da real convergência das coisas e dos fatos e o pior, eu não vi, eu ouvi.
Concerto
Catarina é feia, magra e sintática, desses elementos que falam pouco, mas que quando fala se solta em vergonhas sendo superadas e um leve riso babaca de quem pensa estar enfim conseguindo sair do seu casulo-mundo. A voz é fina de tão tímida e de tão baixa é quase imperceptível e ao mesmo tempo insuportável. Catarina é pobre de vida e acostumada com o que tem. Mas diferente da pena que eu poderia estar sentindo, tenho é nojo mesmo, até gosto de observá-la para instigar o meu instinto de náusea à espécie humana. O nojo personalizado. Bom, temos também a aventura hipócrita desse gordo chamado Alcides, que de farto só tem a barriga e os olhos que passam sempre perseguindo alguma bunda alheia. Cheiro de ovo, a pornografia em alguma janela minimizada do seu computador, a coluna em pânico curvado acentuando a decadência. Digo-lhes aqui que sua voz é grave e incisiva, se torna em alguns momentos uma bela entonação, mas diria que isso é para ouvidos raros que apenas captam segundos de potência num horizonte feito de inférteis possibilidades. E poderia aqui lhes mostrar as características mais pobres que podem constituir a humanidade em termos de adjetivos, mas creio que iriam me faltar as palavras e eu teria que repetir, pois então ficamos por aqui.
Tempo
Eu aqui e eu aqui.. Você já reparou que atualmente quase ninguém anda por aí sem seu MP3 para não ter que ouvir e assim , não falar com ninguém? Que escutando algo que seja do seu próprio gosto estaria mais confortável, mais perto de casa, mais intimamente conectado consigo mesmo e menos invadido pelo outro ,ou...ou apenas com vontade ouvir música. Mas nos ensurdecemos, os ouvidos não tem pálpebras me disse um dia um músico das sombras. Eu dilatei as orelhas porque meu labirinto estava achatado e submisso. Catarina hoje compõe um visual mais brega do que o habitual, estou entediado. Tudo voltara ao normal , tudo sempre volta ao normal.
Sinfonia
Peguei um café, contornei as mesas com passos de bailarino, sentei-me. Odeio açúcar. Me veio, me veio como quem chega, como quem sai, como quem vai......me veio uma parte hipotética de minhas disfunções do pensamento , eu estava longe de alcançar uma finalidade porque alcançara inevitavelmente o meio, e eu estava lá....lá, bem longe daqui ou de algum conforto imediato, eu estava no furo de um pensamento que chega sem porque. Eu disse, eu não disse, eu suei, eu estremeci, eu ouvi. Eu ouvi a onda que me crivava a permanecer inerte, eu ouvi a paralisia dos meus membros, a ruptura da saliva, a voz vindo do fundo, eu ouvi o peido que, hesitante, não saiu. Eu ouvi Catarina baixa e soluçando, eu ouvi as pontas das unhas tocando o teclado, eu ouvi os cérebros amassados de contabilidade, a suspeita da copeira de que havia sido roubada, a ereção travada de Alcides. E eu não precisava dos olhos para pensar o meu nojo, porque diferente agora da nausea, ele era um acumulo de degradações audíveis. A escuta do nojo é o odor que se esvai para entrar o que simplesmente não podemos aceitar como sendo sentido pronto, mas como particularidade de uma brutalidade de recortes de sons minusculos...infinitamente minusculos. A agonia de um som que ainda iria sair se mostrou atacando-me sorrateiro, apenas o esboço do ruído já era a vulgaridade exacerbada de uma disfunção agudamente sonora.
Melodia
Amargurado talvez, embriagado de vez, tomado ....... A rima me desgasta. O tempo não permite coisas cálidas, austeras ou infinitamente melosas. Eu tinha nas mãos o conteúdo inaudível de uma solidez imperpetuável. Devagar alentado ou apenas subvertendo os passos, eu senti que a concentração é apenas a lubrificação do ouvido. Poderia sentar-me e ficar de coluna reta a olhar para a tela achatada do computador e me dissolver em orgasmos infinitamente peculiares do orifício resultado som. Não se faz pensamento sem música, audição pensada é melodia acessada para deglutir o resultado do improviso de tuas meticulosas originalidades. Somos instrumentos de sintomáticos estágios de putrefação avançada ou não. Sei que na lucidez sufocante daquele que ouve o silêncio se explicita a liberdade da loucura possível. Em labirintos da rotina a escuta á a captura certa de um deserto que se move de vento. Aliás, pensamento é vento ? É porque quando vem, apenas chega e modifica o plano em que se encontram as coisas, e logo foge arredio livre debatendo-se em outros e novos lugares. Dunas são cumes temporários. O agudo é apenas o grave destendido. Te digo do tempo.
Contra tempo
Porque eu não estou parado. ....perco a suavidade da uma certa essencia assim que verifico o inalcançável e não consigo chegar a sinfonia que almejo. E ouço vindo a borda de uma dança feita por um membro inventado que desgastado não pode. Eu penso ligeiro, escancarado e levemente agoniado, no tédio que me trouxe por estar , digamos assim, um pouco surdo. Surdo de toda a destreza que paira entre os deslizamentos da realidade, nas finas camadas que compõem algo chamado mundo. A natureza dita seu sonoro cobre leve azul esfumaçado e entre as parabólicas condensadas em energia canalizada, nada posso. Invento o que ...... invento uma dança imóvel que sincera sucumbe logo feita distração abobada de vida vinda. Que desgaste , logo penso. E de nada surge o efeito imediato para a fissura bruta perpetuada em excessos espasmódicos de um cansaço mudo, porque além de surdo não vomita.Eu poderia falar que os ruídos são fantasmas do pensamento que quando emerge som constroem fundos orifícios horizontais de uma longa rota rumo aos sentidos. A imagem só vale se for cantada e por isso mesmo dançada.
Harmonia
Eu signifiquei o resultado extasiado e encolhido em si mesmo para a grande aventura da abstração. E não pense que acho realmente que pensamento é abstração, pois se fosse, não correríamos o grande risco de alcançar a mais pura realidade. De abstrações entendo o verme que congelado finca e fica entre as sinapses neurais no seu atordoado despenteio. Da concretude infinita de um caso saboreio o rasgo torto da dissolução da língua. Eu tive que percorrer a agudez de um frenesi e me resguardar a mera cadeira funcional que me acolhe diariamente. Sinto que o resultado íngreme de mesu distúrios inconsenquentes se tornaram, aos olhares alheios, incoerentes. Já que bailar por pensar se tornou a pulsação óbvia do que almejava o fato. Eu soquei as tortas planícies que captam a figura frouxa de coisas sensatas e sorrateiramente normalizadas. Quando me tragam de bom dia arrebento com a frase sincera feita de gestos musicais. Diriam hermético? Louco? Eu diria extasiado pela descoberta solitária de um vestígio que não pretende rota, mas um sincero rumo ao nada. Pensar é jogar-se no precipício do sentido vibrador. Afinal, de que são feitas as coisas? De imagens possivelmente trabalhadas na sua diferenciação por semelhança?. Eu cansei de aventuras hipócritas.Eu levei até a borda do corpo o pensamento, eu levei o som até o gesto e nada me escapa porque tudo sempre escapa e eu me deixo passar nesse tudo.
Ópera
Sonhei com alguém tornado linguagem simples de balbucios extrovertidos que narram as possíveis entradas do pensar. Entre roseiras, amoeiras e toscos entulhos ele me dizia sem dizer que estava tudo certo e que tudo que me fugira do conrtole era apenas o controle se tornando mais aderente e ardente. Nada me faria retornar ao caldo existencial em que me encontrara. No momento tive medo, pois nos últimos dias ando gostando desse estado dilatado da escuta, mas as vezes me parece que posso ir mais além sempre e
se fosse mais, poderia encontrar, simplesmente, a morte. E ela te preocupa? Ele me pergunta. Eu respondo um instantâneo sim, ele me faz cara de azedo e se ocupa longe com alguma parte de sua composição de ruídos. Ele se vai. E penso ainda não estar realmente no limite do som que é o próprio pensamento evacuando a vida. Depois saculejo frente a uma estranheza que me antecipa ao próximo passo e raro, forte e tênue vago entre uma multidão de febris mulheres acompanhadas pela desenvoltura descomunhas de suas ancas dançadas a partir de suspiros longos e pés cravados na terra. Soei espanto, como quem é tomado pela fúria frenética de algo desconhecidamente belo e instintivamente próximo. Pude pensar em sufoco, em sufoco que se torna esvaziado de si. Não era alívio de um sufoco, mas o sufoco mesmo pairando com a velocidade de um murro grosso e eficaz. Pude então colocar entre as rameiras os meus dedos e andar como em uma marcha, na cadência de não se sabe o que, mas na cadência...........
Eletroacústica
Tens do tato amplitude tosca ruindo vértices de mergulhos que voltam retornando no que sempre só volta porque bate de frente ao ruminar ocasional da fonte vinda. Eu posso porque poder do pó é podridão porosa. Me faço frase pela forma de suas formigantes forças de fluidos focos fofofofofofof. Atrás de mim o fofo finge ser foto e eu escancaro o forte de sua fofura de mil demônios. Não tem exagero no que pula pulsa púrpuras perucas de avelã. Meu resultado finge e esfinge decaída por aglomerados cintilantes sai verruga do cerebelo. Eu diria penso existo nas coisas que fazem o que seja o pensamento pensado sem antes ter achado o grau fincado entre clausuras, usuras, fulguras, porte largo, porque nada posso com o porque se tens em vias de um resultado, há palavras que eu aboli do vocabulário porque elas simplesmente não cabem ao sonoro ruído emancipado antes de ser chacoalhado em matemáticas afim de compactuar com a dimensão burocrática do pensar, eu seria se colocassem o ponto incisivo da combustão, eu seria o não, pois já previ o que não se faz dentro do que é o fora recoberto e feito luxo de toda a quinquilharia pragmática estocada nas fontes de um dito conhecimento, alçando a matéria mole do pensar escuto o tudo para não apenas relatar mas dimensionar amplitude da sinfonia som. Eu só escutei e não permiti parar. E si morri foi para simplesmente escutar.
Timbre de silêncio
Mas ele , por força de contentamento de quem sabe se abrir ao fundo fungo da loucura, pairou como bailarino macabro. Diriam que de seus relatos restam fontes de um diagnosticado grau de uma patologia certa. Eu senti sua presença, a escuta quase diabólica que o fazia pensar, a busca insaciável pelo que não se pode chegar. Mas não digo aqui que posso lidar com a sua proximidade de uma forma totalmente confortável, mas ao invés disso, posso lhes afirmar que era incisivamente arrebatadora. E de todas suas buscas, calcadas em respirações mais torneadas e pulsações mais alongadas, o fim lhes restou enclausurado entre as normas de um silêncio grave, e diriam os de jaleco: gravíssimo. Se solitário lhe bastasse o som, não acabaria então enforcado por entre seus lençóis abarrotados. Precisava era do caos que sucumbe os nervos no turbilhão aceso de todas as figuras do ruído. Era tenro e fez-se mudo quando de vômito era só o silêncio cru que podia alimentá-lo.
alteram as consistências das notas; e, quanto mais de perto se ouve, mais riquezas se encontra. É como uma vida subaquática, que a gente precisa mergulhar pra conhecer” .................... para poder emergir
timbre de possível
Sempre silencioso ou apenas quieto. Porque dizer que alguém é silêncio pode trazer a figura do sufoco que não consegue doar-se à natureza de uma linguagem e assim, ao outro. Mas não era feito disso. Era de um som rasteiro e pegajoso que, quem o encontrasse, saberia da sinfonia que exige sua presença . ruído baixo de frequência arrebatada por estrondoso som.
Tom
Jazz. O que acontece com o pensamento quando houve jazz? ....me perguntei. Sem saber senti que pensamento é corpo e corpo é a hipótese audível do pensamento. Entende? Ouvidos em cada poro epitelial. Porque , porque pensamento não é linguagem, porque a escuta é acessível a todos os membros do corpo. Escuta é linguagem? Pensamento não é linguagem, é escuta, repito. É escutar e fazer escutar. E ouvido não é só escuta, assim como pensamento não é só pensamento e tudo .........chega!! você não disse que ia parar de cheirar ? Eu teria dito que sim......
Timbre de dança
Devagar talvez, como se andasse terno entre a maioria apressada que carregava sem saber um sobressalto muscular nas costas. Leve mas firme. Nunca achei que fosse apenas solicitude, desconfiei desde o inicio que por ali escorriam passagens frenéticas de um solo de bateria, trompete enlouquecido, Charles Mingus carrega precisão e fúria nos dedos. Não sei. Tudo o que posso contar aqui sobre ele se passa por subjetivas compreensões de uma presença estranha e suave. Entendam que não é somente isso , é mais ´poliforme e deslocado também. Quando de súbito uma presença invade o ambiente sem nada a oferecer, mas já oferecendo o contágio de sua passagem que apenas passa. O reconhecimento mudo às vezes faz dele um leve vento que sacode os brincos da menina ao lado, exigindo que ao menos uma faísca de sua espinha seja tocada. Mas não é isso, porque isso acho brega, e não quero fazer ele com contornos bregas, mas com arremates possíveis. E só .
Intensidade
Não entendo de música, mas de danças silenciosas. Não se faz som sem a necessidade louca de pensar dançando . Som é mecânica do gesto. E liberto de si é puro movimento.sim , eu estou procurando a matéria de uma imaterialidade. Eu procuro e pergunto e todos me respondem a mesma coisa, eu vou cartografando as possíveis entradas, mas saio escondido pra não fazer barulho já o fazendo. O peito pulsa ,o coração bombeia a força necessária de um limite próximo, sabendo-se que irá chegar o momento de uma compreensão inaudita as costelas apenas sustentam a pulsação de um frenesi dançante. Magia, penso em magia, e tenho que lembrar de todos os rituais em que não fui para que as besteiras de hoje pesem com seus murmurinhos que não se deixam entranhar totalmente. Eu sei que o pensamento é ato. Somente disso eu sei. Aí abro a cadência filosófica que paira hoje como uma estranha moda de compreender o mundo e reflito sendo ordinariamente conceitual, se é daquilo mesmo que me passa música por entre o corpo seria então não o balbucio sistemático mas outro, outro........ Não é nada, a hipótese de falar sobre recrimina do que se fala. Eu quero o silêncio manuseado até o seu transbordamento total, quero o enxerto de uma ópera abstrata da matéria. Acho que nada posso quando tento assim, pois não seria entendível, mas não é para ser e se fosse , já que é, estaríamos diferentes do que o que se faz nesse agora.
Ritmo
Afinal você escuta o pensamento, eu escuto só o pensamento, a única coisa escutável é o pensamento e quando é ele música é porque dança, quando palavra é porque faz música , quando silêncio é a eterna produção de fazer-se preencher para assim esvaziar. Tudo bem que eu queria antes que fosse alguma coisa palpável , o alimento secreto de uma possível linha, antes queria o jorro imediato de quem sabe que faz fazendo-o. Era tudo essa coisa imprevisível e incapturável e eu querendo não lhe dar um nome , mas achar a sua minúscula composição . Trazendo-me para esse desastroso relatório de tentativas estranhamente peculiares....Você não sabe do que estou falando, nunca saberá. Tudo começou então num dia exagerado chamado verbo-ruído. Eu deslocado obviamente no meu horário comercial em que me são enjauladas espécies humanas totalmente diferentes, que tem que se aturar e ainda fingir que estão parcialmente de acordo com as existência abominantes que perduram por ali e que devem, que devem, que sempre devem...alguma coisa. Nós sentimos nojo um dos outros e escondemos isso só para não nos matarmos em meio à burocracia da rotina. Compartilhamos de pensamentos espaçados por coisas banais e falamos besteiras casuais. Somos o lixo de uma empresa podre, somos todos.....Mas a questão é, diferente daquele entrave cotidiano que provoca a epifania de quem subitamente vê a poesia da realidade, eu vi o susto da real convergência das coisas e dos fatos e o pior, eu não vi, eu ouvi.
Concerto
Catarina é feia, magra e sintática, desses elementos que falam pouco, mas que quando fala se solta em vergonhas sendo superadas e um leve riso babaca de quem pensa estar enfim conseguindo sair do seu casulo-mundo. A voz é fina de tão tímida e de tão baixa é quase imperceptível e ao mesmo tempo insuportável. Catarina é pobre de vida e acostumada com o que tem. Mas diferente da pena que eu poderia estar sentindo, tenho é nojo mesmo, até gosto de observá-la para instigar o meu instinto de náusea à espécie humana. O nojo personalizado. Bom, temos também a aventura hipócrita desse gordo chamado Alcides, que de farto só tem a barriga e os olhos que passam sempre perseguindo alguma bunda alheia. Cheiro de ovo, a pornografia em alguma janela minimizada do seu computador, a coluna em pânico curvado acentuando a decadência. Digo-lhes aqui que sua voz é grave e incisiva, se torna em alguns momentos uma bela entonação, mas diria que isso é para ouvidos raros que apenas captam segundos de potência num horizonte feito de inférteis possibilidades. E poderia aqui lhes mostrar as características mais pobres que podem constituir a humanidade em termos de adjetivos, mas creio que iriam me faltar as palavras e eu teria que repetir, pois então ficamos por aqui.
Tempo
Eu aqui e eu aqui.. Você já reparou que atualmente quase ninguém anda por aí sem seu MP3 para não ter que ouvir e assim , não falar com ninguém? Que escutando algo que seja do seu próprio gosto estaria mais confortável, mais perto de casa, mais intimamente conectado consigo mesmo e menos invadido pelo outro ,ou...ou apenas com vontade ouvir música. Mas nos ensurdecemos, os ouvidos não tem pálpebras me disse um dia um músico das sombras. Eu dilatei as orelhas porque meu labirinto estava achatado e submisso. Catarina hoje compõe um visual mais brega do que o habitual, estou entediado. Tudo voltara ao normal , tudo sempre volta ao normal.
Sinfonia
Peguei um café, contornei as mesas com passos de bailarino, sentei-me. Odeio açúcar. Me veio, me veio como quem chega, como quem sai, como quem vai......me veio uma parte hipotética de minhas disfunções do pensamento , eu estava longe de alcançar uma finalidade porque alcançara inevitavelmente o meio, e eu estava lá....lá, bem longe daqui ou de algum conforto imediato, eu estava no furo de um pensamento que chega sem porque. Eu disse, eu não disse, eu suei, eu estremeci, eu ouvi. Eu ouvi a onda que me crivava a permanecer inerte, eu ouvi a paralisia dos meus membros, a ruptura da saliva, a voz vindo do fundo, eu ouvi o peido que, hesitante, não saiu. Eu ouvi Catarina baixa e soluçando, eu ouvi as pontas das unhas tocando o teclado, eu ouvi os cérebros amassados de contabilidade, a suspeita da copeira de que havia sido roubada, a ereção travada de Alcides. E eu não precisava dos olhos para pensar o meu nojo, porque diferente agora da nausea, ele era um acumulo de degradações audíveis. A escuta do nojo é o odor que se esvai para entrar o que simplesmente não podemos aceitar como sendo sentido pronto, mas como particularidade de uma brutalidade de recortes de sons minusculos...infinitamente minusculos. A agonia de um som que ainda iria sair se mostrou atacando-me sorrateiro, apenas o esboço do ruído já era a vulgaridade exacerbada de uma disfunção agudamente sonora.
Melodia
Amargurado talvez, embriagado de vez, tomado ....... A rima me desgasta. O tempo não permite coisas cálidas, austeras ou infinitamente melosas. Eu tinha nas mãos o conteúdo inaudível de uma solidez imperpetuável. Devagar alentado ou apenas subvertendo os passos, eu senti que a concentração é apenas a lubrificação do ouvido. Poderia sentar-me e ficar de coluna reta a olhar para a tela achatada do computador e me dissolver em orgasmos infinitamente peculiares do orifício resultado som. Não se faz pensamento sem música, audição pensada é melodia acessada para deglutir o resultado do improviso de tuas meticulosas originalidades. Somos instrumentos de sintomáticos estágios de putrefação avançada ou não. Sei que na lucidez sufocante daquele que ouve o silêncio se explicita a liberdade da loucura possível. Em labirintos da rotina a escuta á a captura certa de um deserto que se move de vento. Aliás, pensamento é vento ? É porque quando vem, apenas chega e modifica o plano em que se encontram as coisas, e logo foge arredio livre debatendo-se em outros e novos lugares. Dunas são cumes temporários. O agudo é apenas o grave destendido. Te digo do tempo.
Contra tempo
Porque eu não estou parado. ....perco a suavidade da uma certa essencia assim que verifico o inalcançável e não consigo chegar a sinfonia que almejo. E ouço vindo a borda de uma dança feita por um membro inventado que desgastado não pode. Eu penso ligeiro, escancarado e levemente agoniado, no tédio que me trouxe por estar , digamos assim, um pouco surdo. Surdo de toda a destreza que paira entre os deslizamentos da realidade, nas finas camadas que compõem algo chamado mundo. A natureza dita seu sonoro cobre leve azul esfumaçado e entre as parabólicas condensadas em energia canalizada, nada posso. Invento o que ...... invento uma dança imóvel que sincera sucumbe logo feita distração abobada de vida vinda. Que desgaste , logo penso. E de nada surge o efeito imediato para a fissura bruta perpetuada em excessos espasmódicos de um cansaço mudo, porque além de surdo não vomita.Eu poderia falar que os ruídos são fantasmas do pensamento que quando emerge som constroem fundos orifícios horizontais de uma longa rota rumo aos sentidos. A imagem só vale se for cantada e por isso mesmo dançada.
Harmonia
Eu signifiquei o resultado extasiado e encolhido em si mesmo para a grande aventura da abstração. E não pense que acho realmente que pensamento é abstração, pois se fosse, não correríamos o grande risco de alcançar a mais pura realidade. De abstrações entendo o verme que congelado finca e fica entre as sinapses neurais no seu atordoado despenteio. Da concretude infinita de um caso saboreio o rasgo torto da dissolução da língua. Eu tive que percorrer a agudez de um frenesi e me resguardar a mera cadeira funcional que me acolhe diariamente. Sinto que o resultado íngreme de mesu distúrios inconsenquentes se tornaram, aos olhares alheios, incoerentes. Já que bailar por pensar se tornou a pulsação óbvia do que almejava o fato. Eu soquei as tortas planícies que captam a figura frouxa de coisas sensatas e sorrateiramente normalizadas. Quando me tragam de bom dia arrebento com a frase sincera feita de gestos musicais. Diriam hermético? Louco? Eu diria extasiado pela descoberta solitária de um vestígio que não pretende rota, mas um sincero rumo ao nada. Pensar é jogar-se no precipício do sentido vibrador. Afinal, de que são feitas as coisas? De imagens possivelmente trabalhadas na sua diferenciação por semelhança?. Eu cansei de aventuras hipócritas.Eu levei até a borda do corpo o pensamento, eu levei o som até o gesto e nada me escapa porque tudo sempre escapa e eu me deixo passar nesse tudo.
Ópera
Sonhei com alguém tornado linguagem simples de balbucios extrovertidos que narram as possíveis entradas do pensar. Entre roseiras, amoeiras e toscos entulhos ele me dizia sem dizer que estava tudo certo e que tudo que me fugira do conrtole era apenas o controle se tornando mais aderente e ardente. Nada me faria retornar ao caldo existencial em que me encontrara. No momento tive medo, pois nos últimos dias ando gostando desse estado dilatado da escuta, mas as vezes me parece que posso ir mais além sempre e
se fosse mais, poderia encontrar, simplesmente, a morte. E ela te preocupa? Ele me pergunta. Eu respondo um instantâneo sim, ele me faz cara de azedo e se ocupa longe com alguma parte de sua composição de ruídos. Ele se vai. E penso ainda não estar realmente no limite do som que é o próprio pensamento evacuando a vida. Depois saculejo frente a uma estranheza que me antecipa ao próximo passo e raro, forte e tênue vago entre uma multidão de febris mulheres acompanhadas pela desenvoltura descomunhas de suas ancas dançadas a partir de suspiros longos e pés cravados na terra. Soei espanto, como quem é tomado pela fúria frenética de algo desconhecidamente belo e instintivamente próximo. Pude pensar em sufoco, em sufoco que se torna esvaziado de si. Não era alívio de um sufoco, mas o sufoco mesmo pairando com a velocidade de um murro grosso e eficaz. Pude então colocar entre as rameiras os meus dedos e andar como em uma marcha, na cadência de não se sabe o que, mas na cadência...........
Eletroacústica
Tens do tato amplitude tosca ruindo vértices de mergulhos que voltam retornando no que sempre só volta porque bate de frente ao ruminar ocasional da fonte vinda. Eu posso porque poder do pó é podridão porosa. Me faço frase pela forma de suas formigantes forças de fluidos focos fofofofofofof. Atrás de mim o fofo finge ser foto e eu escancaro o forte de sua fofura de mil demônios. Não tem exagero no que pula pulsa púrpuras perucas de avelã. Meu resultado finge e esfinge decaída por aglomerados cintilantes sai verruga do cerebelo. Eu diria penso existo nas coisas que fazem o que seja o pensamento pensado sem antes ter achado o grau fincado entre clausuras, usuras, fulguras, porte largo, porque nada posso com o porque se tens em vias de um resultado, há palavras que eu aboli do vocabulário porque elas simplesmente não cabem ao sonoro ruído emancipado antes de ser chacoalhado em matemáticas afim de compactuar com a dimensão burocrática do pensar, eu seria se colocassem o ponto incisivo da combustão, eu seria o não, pois já previ o que não se faz dentro do que é o fora recoberto e feito luxo de toda a quinquilharia pragmática estocada nas fontes de um dito conhecimento, alçando a matéria mole do pensar escuto o tudo para não apenas relatar mas dimensionar amplitude da sinfonia som. Eu só escutei e não permiti parar. E si morri foi para simplesmente escutar.
Timbre de silêncio
Mas ele , por força de contentamento de quem sabe se abrir ao fundo fungo da loucura, pairou como bailarino macabro. Diriam que de seus relatos restam fontes de um diagnosticado grau de uma patologia certa. Eu senti sua presença, a escuta quase diabólica que o fazia pensar, a busca insaciável pelo que não se pode chegar. Mas não digo aqui que posso lidar com a sua proximidade de uma forma totalmente confortável, mas ao invés disso, posso lhes afirmar que era incisivamente arrebatadora. E de todas suas buscas, calcadas em respirações mais torneadas e pulsações mais alongadas, o fim lhes restou enclausurado entre as normas de um silêncio grave, e diriam os de jaleco: gravíssimo. Se solitário lhe bastasse o som, não acabaria então enforcado por entre seus lençóis abarrotados. Precisava era do caos que sucumbe os nervos no turbilhão aceso de todas as figuras do ruído. Era tenro e fez-se mudo quando de vômito era só o silêncio cru que podia alimentá-lo.
muito interessante gata. Um estudo. Estudo maluco das peripécies entranhadas de nossas soluções ora rígidas ora aquosas.
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